A perda de competitividade nas exportações, o aumento da fiscalização ao desmatamento ilegal e a lentidão na aprovação de projetos de manejo estão derrubando a produção da indústria brasileira de madeira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor tem sido responsável pelo principal impacto negativo nos resultados industriais deste ano e acumula quedas anuais sucessivas na produção e no emprego desde 2005.
No acumulado de janeiro a julho deste ano, dos três estados cuja produção industrial de madeira é contabilizada pelo IBGE, apenas o Paraná registrou expansão, enquanto houve quedas expressivas no Pará (-18%) e Santa Catarina (-23,8%). Em nível nacional, houve quedas anuais consecutivas na produção em 2005 (-4,5%), 2006 (-6,9%) e 2007 (-2,9%). Somente em julho, a indústria de madeira registrou recuo de 13,7% na produção em relação a igual mês do ano passado. No caso do emprego, no mês, o recuo da ocupação no setor chegou a 8,2%.
O diretor executivo da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), Justiniano Netto, explica que a longa trajetória de queda na produção do setor está relacionada a fatores como a dificuldade de aprovação de projetos de manejo, perda de espaço no mercado internacional por causa da crise nos Estados Unidos e do câmbio e aumento da fiscalização, que reduziu a disponibilidade de matéria-prima. O aumento da fiscalização que está afetando o suprimento de matéria-prima é ilustrado pelos dados do Ministério do Meio Ambiente que mostram que, de 319 empresas madeireiras fiscalizadas pelo Ibama no primeiro semestre, quase 30% foram paralisadas por irregularidades ambientais.
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