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O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse, na última sexta-feira, que a comunicação da instituição com a sociedade no que se refere à política monetária é feita por meio de dois documentos básicos: as notas das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e os relatórios de inflação. "Esses documentos possuem a dimensão e a extensão necessárias e suficientes para conter todas as informações necessárias para se compreender o diagnóstico do BC, bem como os critérios e lógica de suas decisões", disse durante posse do novo diretor de Assuntos Internacionais, Carlos Hamilton Araújo
Meirelles mandou um recado à sociedade para que não sejam tomadas como verdades as interpretações feitas pelo mercado ou pela imprensa. "Nesse contexto é importante que a sociedade procure analisar os documentos, bem como pronunciamentos de autoridades monetárias, pelo que está escrito ou dito, e não pela interpretação de agentes ou jornalistas", afirmou.
Ele também defendeu que em ambientes democráticos as autoridades devem "fazer pronunciamentos regulares de forma a prestar contas de suas ações". No discurso, Meirelles afirmou ainda que "enganam-se aqueles que esperam mudanças na conduta do BC em função do calendário cívico". "Nossa dedicação aos objetivos do BC é inequívoca e permanente", completou.
Meirelles disse que a instituição não evita medidas que são tecnicamente justificadas, mas que possam ser entendidas de forma negativa pela sociedade. "Atuar de forma consistente significa não evitar decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares, mas que visam sim o bem comum", afirmou o presidente do BC.
Henrique Meirelles não detalhou qual eventual medida poderia ser impopular, mas afirmou, neste trecho do discurso, que a instituição precisa fazer o necessário "na medida e na hora adequada para, por um lado, manter a estabilidade do sistema financeiro nacional e, por outro, assegurar a convergência da inflação à trajetória das metas".
Entre os analistas do mercado financeiro existe a discussão sobre a necessidade de elevação da taxa básica de juros (Selic) em um ambiente de aceleração da inflação - influenciado, principalmente, pelo crescimento da demanda interna do País - e em meio às consequências do aumento das alíquotas do deposito compulsório, anunciado na semana passada pelo BC.
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