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Intervenção anima bolsas pelo mundo

Em 09/set/2008

Altas foram sentidas na Ásia e na Europa, além de Nova York, cujo índice Dow Jones subiu 2,59%

Com fortes altas, as bolsas de valores comemoraram, ontem, a decisão do governo dos EUA de intervir nas duas maiores companhias hipotecárias do país, o que melhora a perspectiva para um setor que perdeu US$ 507 bilhões em crédito.

O otimismo gerado pela intervenção foi sentido nas bolsas de todo o mundo, desde a Ásia, onde a bolsa de Tóquio subiu 3,38%, até a Europa, onde as praças de Madri, Londres e Frankfurt chegaram a registrar alta de quase 4%. As bolsas de Nova York, últimas no mundo a abrir o pregão, começaram o dia com forte alta. Após uma hora e meia de negociações, o Dow Jones, o principal índice de Wall Street, subia 1,70%. E fechou o pregão com alta de 2,59%.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, deu respaldo, ontem, à intervenção nas duas gigantes americanas e disse que a economia não criará emprego de forma saudável até que saia da crise imobiliária - as duas hipotecárias financiam três em cada quatro novos compradores de casas.

Basicamente, o governo assumiu a gestão, destituiu os seus executivos-chefes e se comprometeu a refinanciar as operações das duas empresas, que perderam US$ 14 bilhões no último ano.

US$ 5 trilhões em dívida espalhados pelo globo

O grande problema destas agências é que transformaram a gigantesca bolsa de empréstimos hipotecários que possuem em um fundo de ações, do qual venderam bônus no valor de vários trilhões de dólares.

Como certificou, domingo, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, US$ 5 trilhões em dívida e bônus emitidos pelas duas empresas estão nas mãos de bancos centrais e investidores de todo o mundo. Paulson advertiu que, caso estas duas empresas entrassem em processo de falta de pagamento, as turbulências financeiras acarretadas seriam sentidas em todo o planeta.

Além de substituir os gerentes, o Tesouro decidiu comprar US$ 1 bilhão em ações preferenciais de cada uma delas, e o fez com uma opção de aquisição de 79,9% de seu capital. E se comprometeu a fornecer US$ 200 bilhões em liquidez.

Washington

As gigantes da hipoteca

Quem são

A Fannie Mae e a Freddie Mac são concessões criadas pelo Congresso dos EUA e que têm suas ações negociadas em Bolsa

Apesar do controle ser privado, elas precisam obedecer a função de interesse público de apoiar o sistema de empréstimo imobiliário

A Agência Federal de Financiamento Imobiliário é o órgão regulador responsável por supervisioná-las e assegurar que tal missão seja cumprida

Como funcionam

As empresas compram hipotecas de instituições de financiamento e as transformam em títulos, revendendo para investidores. Essas empresas também mantêm algumas dessas hipotecas em seus portfólios

Repassando o dinheiro dos investidores aos bancos, para que eles possam emprestá-los aos mutuários, provêem de recursos o mercado de financiamento à casa própria

Liquidez

Com essas medidas, elas dão liquidez ao mercado de hipotecas, garantindo que os investidores que compram títulos hipotecários receberão seus pagamentos em dia

A maior parte das hipotecas garantidas por elas é de consumidores com histórico de bom pagamento

Importância

A Fannie Mae é a maior companhia americana do setor e a Freddie Mac é a segunda maior

Juntas, elas detêm ou garantem cerca de metade do mercado de hipoteca dos EUA, estimado em US$ 12 trilhões

No ano passado, participaram de cerca de dois terços de todos os empréstimos imobiliários concedidos

Raio-X das empresas

Fannie Mae

Nome: FNMA (do inglês, Associação Federal de Hipoteca)

Criação:1938

Receita: US$ 43,7 bilhões (2007)

Queda das ações: 89,6% ontem

Freddie Mac

Nome: FHLMC (do inglês, Corporação Federal de Hipoteca Residencial)

Criação: 1970

Receita: US$ 42,9 bilhões (2007)

Queda das ações: 82,8% ontem

Fonte: Diário Catarinense 

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