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Indústria de automóveis substitui fibra de vidro por sisal

Em 31/ago/2008

Mais leve, mais forte, mais barata e mais ecológica, a fibra de sisal foi anunciada como matéria-prima a ser usada na produção de peças dos automóveis da Ford, em substituição a materiais como a fibra de vidro. A opção da Ford é comemorada pelo Sindicato das Industrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras), que mantém um projeto de promoção de exportações da fibra de sisal em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Desde sua criação, em 1977, o Sindifibras tem trabalhado para divulgar, ampliar e expandir a cultura do sisal no semi-árido baiano. A proposta, segundo o presidente da entidade, Wilson Andrade, teve apoio fundamental do projeto Sisal-Apex, que possibilitou investimentos em pesquisa, capacitação e divulgação dos produtos e potencialidades da fibra natural no mercado nacional e internacional. Os resultados desses esforços estão sendo sentidos agora. "É muito gratificante ter uma empresa como a Ford anunciando que adotará o sisal, juntamente com resinas naturais, na composição de peças para seus carros. Isso prova que os nossos prognósticos estavam certos", disse Andrade.

"A mistura do sisal com resinas naturais para emprego na fabricação de automóveis é apenas uma das novas demandas para os produtos de sisal", anunciou Andrade. Segundo ele, dados recentes dão conta que somente a Alemanha consome 20 mil toneladas de fibras naturais por ano, para produzir peças de automóveis nas fábricas da BMW, da Mercedes Bens e da Fiat. "As empresas querem depender cada vez menos dos derivados do petróleo. Hoje os alemães usam a fibra do cânhamo, que apesar de fortemente subsidiada, custa o dobro que a de sisal. Esse é um mercado que podemos conquistar".

No caso da pesquisa desenvolvida pela Ford, o sisal brasileiro levou vantagem em relação ao côco, cana e juta, justamente por ser mais leve, mais forte e mais barato. "O sisal é infinitamente superior, pois seu uso na composição permite a utilização de resinas naturais e recicladas, na proporção de 30% da fibra e 70% de resinas. Ou seja, componentes totalmente reaproveitáveis", afirma Andrade, "o produto brasileiro é natural, biodegradável e tem vantagens ambientais que o favorecem em relação aos produtos sintéticos".

Para o presidente do Sindifibras, outra vantagem apresentada pela fibra do sisal é que as peças não criam pontas ao se romperem, o que diminui muito o risco de acidentes com vítimas. Tão importante quanto os avanços econômicos, reforça Andrade, é a função social do produto. O setor ocupa, direta e indiretamente, 700 mil pessoas no semi-árido baiano, região sem outras alternativas econômicas permanentes.

Apoio - Para ser cada vez mais competitivo no mercado internacional, o sisal baiano está recebendo atenção de diversos setores. O Governo da Bahia sinalizou com a possibilidade de lançar um programa com investimentos de mais de R$ 20 milhões nos próximos três anos, incluindo objetivos de aumento da produtividade, melhoria da qualidade, certificação e desenvolvimento de novas máquinas e equipamentos para o setor.

Wilson Andrade adverte também que é preciso desmistificar alguns conceitos errôneos sobre a cadeia produtiva do sisal. "Fala-se em sistema de produção primitivo, mas isso não é verdade. As máquinas de desfibramento foram modernizadas e hoje são equipadas com dispositivo que previne acidentes de trabalho. Mutilações nas mãos são praticamente impossíveis, e temos parceria com as secretarias estaduais do Trabalho e da Saúde para fazer um levantamento sobre as condições de trabalho das pessoas em toda cadeia produtiva"

O Sebrae investiu R$ 400 mil em treinamento e capacitação entre 2007 e 2008 nas unidades de estados produtores: Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba. O SENAI, através do programa Proger esta investindo, nesse ano, R$ 120 mil, com apoio a estudos de melhoramentos tecnológicos e aperfeiçoamento de processo produtivo, visando redução de custos e elevação da produtividade e qualidade na cadeia produtiva.

Missão - Representantes de 16 empresas integrantes do projeto Sisal-Apex estão na Escandinávia, participando de uma missão comercial. São empresas produtoras de 58 municípios baianos, filiadas ao Sindifibras. A proposta é levar os produtos e tecnologias do setor para Finlândia, Suécia e Dinamarca. A missão tem o apoio do Promo, do Ministério de Relações Exteriores e das embaixadas brasileiras naqueles países.

Está é apenas uma das dezenas de viagens realizadas pela parceria Apex-Brasil/Sindifibras, que além da promoção dos produtos tradicionais (fibra, fios agrícolas, fios de embalagem, cordas, mantas, telas, tapetes e artesanato), busca novos usos para o produto brasileiro. Um exemplo é a tecnologia de utilização do sisal na produção de compósitos (mistura de fibras naturais com resinas sintéticas para substituição da fibra de vidro), anunciada pela indústria automobilística.

Além desta aplicação, o Sindifibras está estudando outros empregos da fibra do sisal. Uma delas é na indústria da construção, na produção de telhas, caixas d'água e paredes em lugar do amianto. Para ter mais possibilidades diante do exigente mercado internacional, o Sindifibras, em parceria com o Inmetro e Ibametro estão formulando um selo de qualidade do sisal.

 

 

 

 

 

 

 

 

Com informações da assessoria de imprensa do Sindifibras

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