O diretor do departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou na última sexta-feira que as empresas exportadoras do Brasil devem encerrar 2008 registrando perdas de R$ 90 bilhões, por conta da expressiva valorização do Real frente ao Dólar. Ele comparou a média cambial de 2007, de R$ 2,10, com a estimativa deste ano, que deve ficar em R$ 1,60.
No Ceará, o superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), Eduardo Bezerra, admite que deve haver perdas também. No entanto, ele diz que ainda não foi contabilizado o prejuízo com o câmbio. ´Mesmo com o dólar, devemos crescer 20% sobre exportado pelo Estado em 2007´, projeta. Com isso, as vendas devem chegar a US$ 1,2 bilhão.
A estimativa que fazemos é bastante moderada do que o que deve acontecer, isto porque, em geral, o segundo semestre apresenta volume maior em exportações´, ressalta Bezerra. O empresário, no entanto, afirma que o Estado vem apresentando suas contas bastante equilibradas.
De acordo com o diretor da Fiesp, além de uma possível retração da taxa de juros (para conter a inflação) o Governo Federal deveria controlar as despesas e forçar um ajuste fiscal. ´Se não houver um choque de gestão, teremos uma forte desaceleração na economia. Sem um ajuste fiscal, em menos de três anos, perderemos o grau de investimento´, afirmou o empresário paulista.
Fonseca também observou que estudo divulgado pela Fiesp mostrou que o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar no ranking dos países que mais apresentaram valorização em sua moeda, em comparação ao Dólar. Enquanto a média mundial foi de quase 23%, a brasileira registrou o dobro (ficou em 46%), bem a frente, inclusive, de outros países do Bric (bloco formado pela elite dos países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China). A média obtida pela China ficou em 22% e a da Rússia foi de 17%.
Balança comercial - Segundo o diretor do departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais da Fiesp, a valorização cambial também foi a grande responsável pelo déficit de US$ 18,7 bilhões no saldo da balança comercial de produtos manufaturados e pelo aumento de US$ 30,2 bilhões nas importações, em apenas um ano.
Quem está segurando o saldo positivo total das exportações brasileiras é o agronegócio, com forte ajuda dos altos preços das commodities´, comentou Fonseca.
A Fiesp aponta estratégias para reduzir essa valorização. Entre as propostas da entidade, está a criação do ´ACC em reais´ (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que possibilitaria o financiamento das exportações com o uso da moeda nacional.
Hoje, as operações de ACC que permitem ao empresário receber antecipadamente pelas mercadorias destinadas às exportações futuras são realizadas em moeda estrangeira. A Fiesp propõe a substituição do financiamento externo pelo interno, o que, conforme Fonseca, eliminaria a entrada antecipada de dólares no país.
Com informações do BrasilComex
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