O aumento do comércio internacional está pressionando a oferta de transporte marítimo no mercado. Muitas empresas começam a enfrentar uma espécie de “overbooking” da navegação mundial e, mesmo com a contratação antecipada, não conseguem contêineres e espaço nos navios e precisam esperar um novo agendamento das embarcações. Com o atual cenário, o frete disparou, há cobrança de prêmios e aumento de custos.
A BS Colway, que importa 80 mil pneus por mês da China, registra atrasos de cerca de 30 dias na chegada das mercadorias, segundo seu diretor de assuntos corporativos, Ozil Coelho Neto. A situação, contudo, deve piorar até o fim do ano, com o aumento das importações para o Natal. “Hoje a China faz o Natal do mundo e a procura por navios para trazer mercadorias de lá aumenta muito. Tivemos que replanejar nossa logística.”
Segundo ele, o frete marítimo já subiu 13% nos últimos 60 dias e alguns armadores já começaram a praticar sobrepreço – em torno de 5%. “Somos obrigados a adiar um mês de faturamento (de R$ 8 milhões) por conta desse problema.”
As dificuldades são confirmadas pelos armadores. “Quem quiser contratar navios da Ásia para o Brasil vai ter dificuldades. O tempo de espera chega a três semanas”, afirma Wilson Roque, gerente para o Paraná e Santa Catarina da Hamburg Süd, que controla a Aliança Navegação.
Com a China puxando as rotas, começa a faltar navios e contêineres em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos e na Europa. Por conta do overbooking, a norte-americana Interface Flor, fabricante de carpetes em placas, está sofrendo para importar produtos da matriz para o Brasil. Em função de falta de espaço nas embarcações, uma carga de 12 contêineres – que equivalem a 70% da sua importação mensal – prevista inicialmente para chegar ao Brasil em 15 de agosto, só deve desembarcar em solo brasileiro em 11 ou 12 de setembro.
“Já tivemos um prejuízo de US$ 800 mil e cinco contratos cancelados”, conta Roberto De Donato, gerente comercial da Interface Flor no Brasil. De acordo com ele, a matriz vem tentando negociar com as companhias marítimas maior velocidade nas entregas para evitar mais prejuízos. Mas os armadores já informaram que o problema pode voltar a ocorrer até o fim do ano. A empresa importa entre 40 mil e 45 mil metros quadrados por mês de carpetes dos EUA e o aumento da procura provocou reajuste no frete, que, desde março, subiu entre 25% e 30%.
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