O dólar comercial fechou em queda nesta quarta-feira (10), seguindo o bom humor dos mercados financeiros no dia e também a expectativa de entrada de recursos no país com novas ofertas de ações programadas para as próximas semanas.
No fim do dia, a moeda norte-americana terminou em queda de 0,50%, cotada a R$ 1,773 para a venda. É o menor valor de fechamento desde 18 de janeiro. No mês, o dólar tem queda de 1,94%.
Desde o início do mês, os não-residentes já acumulam US$ 1,48 bilhão em compras líquidas de ações, de acordo com dados da BM&FBovespa. A vinda de estrangeiros para a bolsa também se reflete no dólar futuro, onde eles aumentaram as compras de moeda norte-americana nos últimos dois dias, em parte, como um "hedge" (proteção) para os investimentos no Brasil.
Internamente, dados divulgados pelo Banco Central mostraram que os bancos praticamente zeraram na semana passada suas posições compradas em dólares no mercado à vista, o que segundo profissionais de mercado pode ter ajudado a fazer a taxa de câmbio cair nos últimos dias.
Isso ocorreu por causa do fluxo negativo de US$ 1,2 bilhão entre 1º e 5 de março, e pelas compras de US$ 797 milhões do Banco Central em operações liquidadas no mesmo período. Os dólares que deixaram o país e os que engrossaram as reservas do BC saíram das tesourarias dos bancos, que acumulavam US$ 2,07 bilhões no fim de fevereiro.
Análise
Agora, com uma posição praticamente neutra em dólares no mercado à vista, os bancos se sentem mais à vontade para favorecer a queda do dólar e recompor o caixa mais à frente, a uma taxa mais baixa, com as entradas previstas pelo mercado. "Eu não acho que esse fluxo (negativo) divulgado hoje expresse uma tendência", disse Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.
Opinião semelhante tem o banco de investimento Goldman Sachs, em relatório: "Com a volta do apetite pelo risco, esperamos que o fluxo no segmento financeiro se recupere, levando essas operações novamente a registrar números positivos. Além disso, esperamos que a receita das exportações aumente", escreveram analistas da instituição.
Além do interesse dos estrangeiros em ações já em negociação, uma vez que a Bovespa vem tendo dias positivos, o mercado repercute o provável aumento do fluxo por causa de ofertas de novas ações. Uma delas, a da companhia de estaleiros OSX, pode movimentar até R$ 9,9 bilhões.
Fonte: G1
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