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Dólar reduz crédito para exportadores

Em 06/out/2008

Chegando a valer uma média de R$ 2, a alta do dólar devido à crise norte-americana vem reduzindo a oferta de linhas de créditos para os exportadores brasileiros. Na última semana, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, anunciou o estudo de medidas para aumentar os recursos para crédito público a essas empresas. A possibilidade da ação servirá para segurar o resultado positivo da balança comercial brasileira, que registrou, em setembro, US$ 37,288 bilhões, sendo US$ 20,025 bilhões em exportações. Com esse resultado, o Brasil consegue criar uma barreira contra a crise.

“Não teríamos essa segurança há dez anos, quando nossa relação de comércio exterior com os Estados Unidos era maior. Diminuímos essa dependência. Agora, exportamos até mais para a Ásia e Europa”, explicou o chefe do Departamento Regional Nordeste do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Guimarães. As exportações também ajudam a criar reservas internacionais que, de acordo com Guimarães, o País não tinha há uma década. “Uma crise dessas nos pegaria em cheio se os investidores da bolsa não tivessem acesso ao dólar no Brasil”, completou.

O crescimento das exportações de pequenas empresas também está ajudando na movimentação superavitária da balança comercial, não deixando o dólar parar de circular no Brasil. Entretanto, são necessárias algumas reformas estruturais para melhorar o nível de regras para exportação. “É preciso simplificar mais para as pequenas. As grandes empresas estão especializadas e competitivas”, disse o professor de Comércio Exterior da Faculdade Boa Viagem (FBV), Clélio Ribeiro.

Para o especialista, o aumento de crédito público para as empresas de exportação ajuda, mas a repercussão da crise é grande. De acordo com o ministério, metade das exportações brasileiras, cerca de US$ 100 bilhões, são financiadas. “O Brasil se solidificou nos últimos anos. A balança superavitária foi o trunfo. A medida serve para tranqüilizar as empresas. Economia também é psicologia”, comentou Ribeiro. “Ao mesmo tempo que o governo gasta por um lado, por outro garante crédito aos exportadores”, justificou Guimarães. No BNDES, por exemplo, existem dois tipos de modalidades financeiras: pré-embarque, para financiar a produção de um bem; pós-embarque, para financiar a comercialização de um produto.

 

 

 

 

 

 

Folha de Pernambuco

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