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Dólar forte vira uma faca de dois gumes - Indústria de SC faz importação considerável de insumos

Em 18/set/2008

O momento do mercado financeiro global cerca de incertezas investidores, indústrias e, também, o consumidor final. Apesar de temores em relação aos próximos reflexos, porém, a crise traz resultados positivos no curto prazo. Para as empresas, representa a oportunidade de ganhos maiores com as exportações diante do dólar em alta. Para os clientes que têm dinheiro guardado e não necessário no curto prazo, pode significar o ingresso no mercado financeiro.

Ontem, a Federação das Indústrias de SC (Fiesc) lançou uma pesquisa para dimensionar com as empresas do Estado os efeitos da crise americana no médio prazo. O diretor de relações industriais da entidade, Henry Quaresma, diz que "o sinal amarelo acendeu".

- Se fosse só o dólar aumentando, seria positivo. As empresas exportadoras têm um benefício imediato. Mas, pelo ponto de vista global, a situação é preocupante - destaca.

Quaresma lembra que a importação, principalmente de insumos, tem forte representação nos custos das indústrias de SC. Neste ano, até agosto, as importações catarinenses totalizaram US$ 5,27 bilhões, um aumento de 71,3% em relação ao mesmo período do ano passado. E as exportações somaram US$ 5,69 bilhões, alta de 19,57%.

Além disso, os Estados Unidos ainda são o principal comprador de SC no mercado internacional.

Para o presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Materiais Elétricos de Jaraguá do Sul, Célio Bayer, a preocupação é com o risco de desaquecimento da economia. Ele diz que o setor, num primeiro momento, está no grupo dos que tiram vantagem nas exportações. Outro benefício é o fato do segmento, segundo Bayer, estar com o parque fabril modernizado, o que dispensa a necessidade de novos investimentos imediatos, encarecidos pelos custos das importações.

Apesar de também enxergar vantagem na alta do dólar, o presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas de Criciúma e Região Sul (Sindiceram), Otmar Josef Müller, é mais reticente quanto aos reflexos futuros.

- É muito cedo para definir os rumos. Não temos convicção de que o dólar permanecerá tão alto por muito tempo - explica.

Ontem, o dólar fechou a R$ 1,867, a maior cotação desde setembro de 2007.

No meio da turbulência, há analistas que enxergam também oportunidades para investidores.

- Para quem quer entrar na bolsa buscando um retorno no médio e longo prazos a oportunidade é excelente. Para quem pode precisar resgatar o dinheiro investido já nos próximos meses, o mercado não é indicado - explica o economista e gestor de renda variável da Somma Investimentos, Adriano de Sousa.

- O momento é ruim para o acionista que precisa vender os papéis agora - acrescenta o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy Vartanian.

Dicas dos especialistas

> Quem já tem ações na bolsa de valores não deve se desesperar. Vender os papéis agora é garantia de prejuízo. A orientação é segurar para esperar a recuperação.

> O momento de turbulência pode ser uma oportunidade de entrada para novos investidores no mercado de ações. Mas só para aqueles que não precisam do retorno no curto prazo. A dica de analistas é comprar os papéis em baixa agora e segurar pelo menos alguns anos para revendê-los, obtendo bons lucros.

> Já quem tem medo de correr riscos e não tem garantia de que não vai precisar resgatar as economias no curto prazo deve passar longe das bolsas. O mercado ainda deve sofrer novas quedas significativas antes de iniciar uma gradativa recuperação.

Cronologia da semana

Segunda-feira

> Quarto maior banco de investimentos dos EUA, o Lehman Brothers pede concordata. O governo americano não repete a ajuda financeira para evitar a quebra, como fez com as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. Instituições financeiras correm para salvar outro banco tradicional de Wall Street, o Merrill Lynch. O Bank of America, o maior grupo do país, o assume por US$ 50 bilhões.

Terça-feira

> O Fed anuncia um empréstimo de US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da American International Group (AIG), a maior seguradora do mundo. Em contrapartida, o governo assumirá o controle de 79% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios.

Ontem

> A crise também se reflete nas instituições européias. Quinto maior banco britânico, o Lloyds TSB compra a hipotecária britânica HBOS, criando uma empresa de US$ 43 bilhões. O HBOS perdeu mais da metade de seu valor em seis dias.

Fonte: Diário Catarinense

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