Uma crise de confiança histórica atingiu ontem os mercados globais e motivou uma corrida inédita, desde o crash da Bolsa de Nova York (1987), para investimentos livres de risco. O pânico aconteceu mesmo após o socorro, na véspera, do Fed [BC dos EUA] à seguradora AIG, que parecia poder acalmar os mercados. Foi o terceiro dia seguido de perdas nas Bolsas, que varreram estimados US$ 3,6 trilhões do valor de mercado das empresas pelo mundo. Em meio a uma desconfiança sobre a saúde financeira de bancos de investimento como Goldman Sachs e Morgan Stanley, fundos de pensão e grandes investidores institucionais se livraram de ações e de dívidas corporativas para se refugiarem em papéis da dívida pública americana de curto prazo.
A procura foi tão alta que alguns desses papéis chegaram a ser negociados com juro próximo de zero, na menor taxa desde a Segunda Guerra. Ou seja, o investidor chegou a pagar ágio para comprar papéis que praticamente não trarão nenhum rendimento, mas que são refúgio contra perdas. Apenas ontem o retorno dos papéis de três meses do governo americano recuou 0,61 ponto e teve taxa de 0,03%, a menor desde janeiro de 1941. Ao mesmo tempo, os juros dos empréstimos entre bancos privados dispararam, levando as taxas ao maior patamar desde 20 de outubro de 1987, data que entrou para história de Wall Street como a "segunda-feira negra" do crash da Bolsa nos anos 1980.
Folha de S. Paulo
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