O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que poderá reduzir o Orçamento dos ministérios se a crise financeira mundial atingir o Brasil. A afirmação foi feita a cientistas na comemoração dos 60 anos da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) após ser questionado se a crise afetaria a destinação de recursos para a ciência. Lula respondeu que, para não vender ilusões, não poderia "assumir o compromisso com vocês de que, se houver uma crise econômica que abale o Brasil, a gente vai manter todo o dinheiro de todos os ministérios como está". "Até porque, se a União arrecadar menos, vai ter menos dinheiro para todo mundo", afirmou.
Desde o agravamento da crise global, em setembro, Lula vinha dizendo que o Brasil sofreria pouco: "Ela [crise] é lá [EUA] um tsunami, e aqui vai chegar uma marolinha, que não vai dar nem para esquiar", disse ele no início deste mês. Mas, desde então, o dólar mantém alta firme em relação ao real (ontem subiu 5%), grandes empresas revelam perdas significativas com o câmbio e suspendem investimentos. Já a confiança dos industriais despencou, apontou pesquisa da CNI divulgada ontem. Aos cientistas, Lula ressaltou que não há ministério "menos importante" e comparou o governo a uma casa em que os pais têm quatro ou cinco filhos.
Folha de S. Paulo
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