A deficiência da infra-estrutura portuária brasileira no ano passado impôs US$ 300 milhões de custos adicionais aos armadores. "É como se jogássemos fora no mar um terminal de contêineres por ano. E nesse ano, será mais", afirmou ontem o presidente da Hamburg Süd no Brasil, Julian Thomas, durante um evento voltado ao setor automotivo, em São Paulo, realizado pela operadora logística mundial Kuehne Nagel.
Na conta de Thomas estão, entre outros, as horas que o navio espera para atracar, as escalas canceladas e o bunker adicional. Em 2007, somente a Hamburg Süd perdeu US$ 62 milhões.
"Levando em conta que a Hamburg Süd tem cerca de 20% do mercado", continuou Thomas, a estimativa é que o setor de transporte marítimo de contêineres no Brasil tenha amargado perdas de US$ 300 milhões no período - o mesmo valor investido pelo grupo no terminal de Itapoá (SC), em construção.
As principais limitações apontadas são a falta de retroárea e de dragagem nos portos, situação que obriga os armadores a destacarem uma embarcação a mais para completar o serviço.
Em 2007, o déficit de área para movimentação de contêineres nos portos brasileiros foi de 1,1 milhão de metros quadrados – a capacidade nominal era de 3,2 milhões de contêineres, mas foram operados de fato 4,3 milhões de unidades.
Em 2012, o Brasil deverá movimentar 8,6 milhões de contêineres - a projeção não leva em conta os possíveis efeitos da crise financeira internacional. Assim, nos próximos quatro anos a oferta de infra-estrutura para contêineres deveria aumentar em 5,4 milhões de metros quadrados. "Ou o equivalente a 11 terminais da Santos Brasil", afirmou o executivo, referindo-se ao maior terminal de contêineres do País, localizado no Porto de Santos.
A falta de profundidade nos portos fez com que a transportadora alemã cancelasse 119 escalas em 2007 no Brasil, 5% das paradas programadas. Os portos mais críticos foram Rio de Janeiro, Itaguaí e Vitória, que, juntos, responderam por 37 das suspensões.
Neste ano, até o final de setembro, o número de paradas revogadas em todos os complexos já estava em 187.
O volume de horas de espera para o navio atracar é ainda maior. No exercício passado, as embarcações da Hamburg Süd ficaram 17.220 horas paradas. No Porto de Santos, em 15% dos casos a espera superou 24 horas.
Neste ano, até setembro, os navios da Hamburg Süd tiveram de esperar 15.300 horas para escalar nos portos brasileiros. "São 2,3 navios perdidos", quantificou Thomas.
Para solucionar todos esses problemas, o executivo calculou que sejam necessários aportes de US$ 3,5 bilhões.
Mas, de imediato, pontuou, uma saída seria um investimento de US$ 2 milhões no chamado VTS (Vessel Traffic System) para controlar o tráfego de navios nos canais de acesso aos portos. Parte do tempo que os navios ficam parados se deve ao fechamento dos complexos por mau tempo, situação que poderia ser aliviada com o VTS.
"Os armadores poderiam fazer o investimento, mas o primeiro passo tem de ser dado pelas autoridades portuárias", explicou Thomas, para quem é necessário unir esforços do setor em torno de uma agenda comum, que jogue luz sobre o problema. "O tão falado iminente apagão marítimo já está ocorrendo".
Para o executivo, o governo "tem feito bastante" e implementado medidas que podem ajudar a solucionar os problemas. Entre elas, estão o PND (Programa Nacional de Dragagem) – os primeiros contratos já foram assinados – e a publicação de um novo marco regulatório para estimular investimentos em terminais de contêineres.
Conforme o ministro dos Portos, Pedro Brito, a legislação será publicada após o segundo turno das eleições, que ocorre no domingo.
Fonte: Guia Marítimo
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