O descasamento entre os investimentos em produção de gás e a ampliação de infra-estrutura de transportes vem postergando importantes projetos do Plano de Antecipação da Oferta de Gás Natural (Plangás), lançado pela Petrobrás em 2006 para reduzir a dependência do gás da Bolívia. Os campos de Peroá, no Espírito Santo, e Mexilhão, em Santos, por exemplo, têm capacidade para colocar no mercado, em curto espaço de tempo, 23 milhões de metros cúbicos por dia. No entanto, o ritmo acelerado do aumento de produção não vem sendo acompanhado pelas obras de infra-estrutura de escoamento do gás.
O volume de produção dos dois campos equivale a 75% das importações de gás da Bolívia. É suficiente para minimizar os efeitos de qualquer interrupção no fornecimento pelo país vizinho, como a ocorrida na semana passada, quando manifestantes fecharam uma válvula no Gasoduto Yacuíba-Rio Grande (Gasyrg), com capacidade para transportar 17 milhões de metros cúbicos por dia. Durante as seis horas em que ficou sem operar. o Brasil deixou de receber 3 milhões de metros cúbicos.
Mas dificuldades jurídicas, ambientais e aquecimento do mercado atrasam a chegada do gás nacional. “A Petrobrás aumentou muito os investimentos em gás. Tirou dinheiro do petróleo, que dá mais receita, para colocar em gás, mas o tempo de desenvolvimento dos projetos é longo”, diz o consultor Marco Tavares, da GasEnergy. No ritmo atual, ele prevê que o país só reduzirá a dependência da Bolívia entre 2010 e 2011.
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